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Homenagem valoriza e reconhece dedicação de Waldimir Pirró e Longo

27 julho 2011 No Comment
Engenheiro e professor Waldimir Pirró e Longo

Engenheiro e professor Waldimir Pirró e Longo

Em consideração à valiosa contribuição, nas últimas décadas, para formação de engenheiros e pesquisadores na área de Metalurgia Física e Mecânica em nosso País, o engenheiro Waldimir Pirró e Longo recebeu, de seus pares, uma homenagem em reconhecimento ao seu trabalho e dedicação.  O momento foi conduzido pelo professor da Ufop, Leonardo Godefroid, durante a sessão técnica de ‘Mecânica de Fratura e Integridade Estrutural’, do 66º Congresso ABM.

Engenheiro Metalúrgico, pelo Instituto Militar de Engenharia – IME e PhD pela Universidade da Flórida, Longo publicou 96 artigos em periódicos e anais de congressos, 11 monografias, relatórios e projetos, 11 livros e capítulos de livros, 4 teses e 15 ensaios.

Placa de homenagem oferecida a Waldimir Pirró e Longo

Placa de homenagem oferecida a Waldimir Pirró e Longo

Como o homenageado, por motivos de saúde, não pode comparecer ao Congresso para receber a honraria, Longo enviou uma carta de agradecimento que pode ser conferida, na integra, abaixo:

Niterói, 16 de Julho de 2011

Aos estimados colegas e amigos da ABM

Recebi, com muita alegria e emoção, a noticia que no dia 20 de Julho do corrente ano, por ocasião da realização da Sessão Técnica referente ao Tema “Mecânica de fratura e integridade estrutural”, durante o 66º Congresso Anual da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais  e Mineração – ABM, eu serei alvo de uma homenagem da nossa Associação. Infelizmente, meu estado de saúde impede-me de comparecer à cerimônia prevista. Lamento profundamente esse fato, não somente pela ausência à homenagem em si, mas, também, pela perda de oportunidade de revêr queridos colegas, amigos, ex-alunos.

Confesso que fiquei curioso, tentando descobrir qual a razão que teria levado a alguém propôr, — ou a um grupo de pessoas propôr, — meu nome para tal distinção. Talvez tenha sido pelo fato de eu estar prestes a comemorar 50 anos de magistério, numa trajetória que teve começo no início da década 60, na Escola de Engenharia Industrial Metalúrgica de Volta Redonda, pertencente à UFF, e prosseguiu pelo Instituto Militar de Engenharia – IME.
                                                                                                                                                              
Ao longo desses anos até chegar aqui, foram dezenas de disciplinas ministradas; milhares de horas de aulas; dezenas de orientações de alunos de graduação e de pós-graduação; participação em centenas de bancas, de comissões e de concursos; centenas de apresentações em congressos; membro de mais de uma dezena conselhos de institutos, fundações e agências federais; mais de duas dezenas de missões oficiais no exterior e mais de cento e vinte trabalhos publicados entre teses, livros, capítulos de livros, monografias, ensaios e artigos em revistas nacionais e internacionais.

E, por trás disso, dezenas de milhar de horas de estudos varando dias, noites, sábados, domingos e muitos feriados, que só a família assistiu e sofreu. Muitas vezes patrono, paraninfo, nome de turma ou homenageado, ensinei e procurei conscientemente dar bons exemplos a milhares de jovens que tive o privilégio de ter nas minhas aulas, seminários e palestras.

Confesso que, nesta data, sinto-me mais do que recompensado por toda essa luta ao longo de cinco  décadas.

Meus colegas e amigos, na realidade, os anos passaram, e eu não percebi, pois tinha diante de mim, ano após ano, sempre os mesmos rostos jovens, radiantes, sonhadores (como devem ser todos os jovens), ávidos de conhecimentos e de bons exemplos. Para mim, na sala de aula, o tempo não contava. Sentia-me jovem também, estudando sempre, reciclando com eles a minha visão do mundo e, denominando-me, sinceramente, “o aluno mais antigo da turma”. Isto porque, além de ninguém mais poder considerar-se definitivamente formado, humildemente, sempre concordei com o grande Guimarães Rosa que disse uma vez que “mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.

Mas, o tempo, contrariamente ao meu sentimento, passou e não poupou “o aluno mais antigo”. E, de repente, uma turma transformou-se na minha última turma de graduandos em engenharia. Jamais esquecerei o carinho dos alunos para comigo ao final da minha última aula.

Segundo Miguel Unamuno, “O homem vive de razão e sobrevive de sonhos”.

Colegas, confesso que ao saber da homenagem, contrariando a verdade, procurei sentir-me jovem e, mais uma vez, sonhar, sonhar muito.
 
 Sonhar com a possibilidade de ter atingido um objetivo meu de luta que sempre foi contribuir para a formação de jovens, não somente no aspecto profissional, mas, também, como cidadãos. Cidadãos ordeiros, empreendedores, solidários, orgulhosos da terra em que nasceram, da sua história de paz e tolerância, cientes do patrimônio físico e cultural legado pelos que nos antecederam e dispostos a defendê-los e preservá-los.
        
Procurei não me omitir nem esmorecer  nessa batalha, buscando não ser somente um professor, ou ser professor somente na sala de aula, mas ser além de professor, educador, orientador, estimulador de jovens, em todos os lugares e ocasiões que me dessem oportunidade. E, acreditem, foram muitas!
 
Sonhar que a homenagem não foi para quem apenas cumpriu sua obrigação de ensinar, de transmitir com dedicação e honestidade o conteúdo programático de uma ou mais disciplinas, e que, a contento, conduziu pesquisas e orientou mestrandos e doutorandos,

Finalmente, sonhar que vocês quiseram premiar alguém que, além disso, transmitiu valores, princípios e, sobretudo, disposição de luta, perseverança, vontade inabalável para vencer as vicissitudes, as dificuldades¬¬¬¬¬ com as quais a vida, às vezes, nos surpreende.

 E vocês, meus amigos que participaram, me acompanharam ou me observaram nessa trajetória do ensinar e do aprender, do mais experiente aconselhando e procurando ser exemplo para os mais jovens, sabem exatamente porque saliento a disposição diante das sérias vicissitudes que a vida, às vezes, nos impõem. Na realidade, desejo que, estimulados pelo exemplo que eu, modestamente, possa ainda ser, procurem perseguir e tornar realidade os seus sonhos, e que sejam todos sempre fortes diante das dificuldades que surjam nas suas trajetórias!
 
  Colegas e amigos, muito obrigado por terem me proporcionado uma gratificante sensação de dever cumprido e por este momento de grande alegria pessoal.
 
A todos, um caloroso e fraternal abraço

     Prof. Waldimir Pirró e Longo

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