Ações articuladas em torno das prioridades podem melhorar a logística no Brasil
“O País tem uma cultura de inércia em relação às questões logísticas, que compromete a competitividade brasileira. O que se observa é uma repetição dos problemas, desde a década de 70. O Brasil cresceu, mas os investimentos para expansão da infraestrutura logística não foram realizados na medida necessária. Além disso, o pouco que existe é mal utilizada ou encontra-se em condições precárias”. Para o presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestre – ANTT, Bernardo Figueiredo, que participou dia 19, do Fórum de Líderes dentro da programação do 66º Congresso ABM, não há nenhum trabalho ou articulação em torno do que é prioritário.
”A solução das questões logísticas nem sempre estão ligadas a grandes obras, mas em fazer investimentos de forma eficiente e articulada, em regiões que têm maior demanda”, defende ele, acrescentando que o desafio para o Poder Público é superar a incoerência entre a capacidade de investir e a real necessidade do País.
O PAC, de acordo com o economista, pode ser um bom instrumento para esse debate, porque todos os projetos que são incluídos têm recursos assegurados para começar e acabar, existe um cronograma e articulação entre os agentes envolvidos e a cada quatro meses o governo faz prestação de contas. “A sociedade precisa se apropriar desses instrumentos para cobrar prioridades e mais agilidade na execução das obras”.
Para obter maior eficiência logística no Brasil, Figueiredo sugeriu ainda as parcerias público-privada, “visando ampliar a capacidade de investimento do Poder Público”; marcos regulatórios, “que induzam a eficiência do serviço”; e ações junto ao governo, através de várias instâncias, como o Fórum de Competitividade, “objetivando pautar as decisões a partir do consenso em torno da infraestrutura desejada para o País”.
Com uma estrutura de transportes das mais eficientes, a Vale contribuiu com os debates, trazendo informações e reflexões importantes na área de logística. “Desde que era estatal, a companhia priorizou investir em sistemas de transporte para poder escoar seus produtos e se manter competitiva no mercado internacional, uma vez que nossas minas encontram-se a uma média de 800 km do porto. Os australianos, nossos principais concorrentes, possuem minas a menos de 300 km da costa”, disse o diretor-executivo, José Carlos Martins (foto à direita).
Apesar do minério brasileiro ser de qualidade superior, o grande desafio diante da concorrência continua sendo reduzir a desvantagem no preço do frete. Por isso, a Vale passou a investir na construção de navios e em centros de distribuição em várias localidades do mundo. Recentemente, colocou no mar o maior mineraleiro do mundo com capacidade para transportar 400 mil/t de minério e reduzir 35% da emissão de carbono em comparação a uma embarcação tradicional de cerca de 200 mil/t.
“Neste caso, a vantagem não é só econômica, mas também ambiental, outro grande desafio do século 21, assim como a questão das fontes alternativas de energia e a inovação”, afirmou o economista.
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